Anna Müller

 

Dizem que pessoas são como ondas;
como elas vêm, voltam levando
um pouco de nós e deixando um pouco de si.
Desmancham-se na correnteza e
desaparecem no infinito mar azul.
Busquei juntar os pedaços largados
entre conchas e os grãos de areia.
Cada um, trazia-me uma lembrança,
uma lágrima de saudade.
Meu olhar, perdido no horizonte,
tentava alcançar aquele porto,
que tanto repousei meu corpo
e tomei-o como leito de amor.
A canção que o mar trazia,
era a voz já perpetuada em minh'alma,
e dela vivia a harmonia.
O cheiro da maresia, a gaivota solitária,
toda uma recordação que doía ausente.
Deixei marcada na areia, as marcas
dos meus pés, na esperança que um dia,
pudesses encontrar o caminho de mim.
Fiquei a deriva em tempestades,
perdida em marés calmas...
Escondi-me no escuro céu, fugindo
da luz da lua que me buscava em vigília.
Estrelas que me espreitavam silenciosas,
enquanto fazia guarida entre as pedras
frias da minh'alma.
E eu só queria estar ali;
a espera que o vento trouxesse
notícias que eu tanto ansiava.
Algo que me fizesse levar os olhos
para além-mar e sentir que vinhas
carregado nas horas do oceano.
E o vazio azul se fazia imagem
em meus olhos...
Todos os dias, um pedaço
de minha esperança era atirado no mar;
aos poucos, sumia, com o desejo que
recebesses o apelo do meu coração.
Assim eu continuo, num sonho encubado,
talvez jurado, ou não, talvez apenas
um sonho.

 

RR, 09.11.08

 

 

 

 

 

                  

 

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